Viúva Negra


Isso de a fêmea comer o macho tem muito o que se lhe diga. A meu ver, qualquer macho que saiba reconhecer as coisas boas da vida não se importa nada de ser comido pela fêmea durante parte da cópula (só “parte”). Mas isso de ser comido depois da cópula é que… alto e pára o baile! Suponho que a generalidade das pessoas tem um conhecimento básico da existência de uma simpática fêmea aracnídea que dá pelo virtuoso nome de “viúva negra” (provavelmente, haverá uns quantos que não saberão de onde vem esse nome, mas esses também não interessam nem ao menino que nasceu nas palhinhas). Adiante. A questão, seus espécimes distraídos, é que a relativa superioridade física do macho já não está a fazer o seu trabalhinho como deve ser. Primeiro, a cada dia que passa, aumenta a quantidade de homens que não se importam de ser comidos pela fêmea durante a cópula (confesso que também tenho culpas no cartório, até certo ponto… uns minutos de passividade permitem um necessário descanso para aguentar a razoável conta de cinco ou seis seguidas), passando cada vez mais para as mãozinhas delicadas das mulheres o leme do barco do amor (uma evidente analogia para sexo suado e gemido, claro está). Mas isso até nem é mau de todo. Há que saber variar e aproveitar a maré. Acontece que o que se torna grave é o aumento da quantidade de machos que não se importam de ser comidos durante a cópula toda. Isso não! Isso não, pá! Tenham lá respeito pela digna reputação dos outros machos que gostam de fazer da coisa o proveitoso e justo “dar e receber”. É que, depois, elas tomam-lhe o gosto à dominância e daí podem surgir duas consequências distintas, mas ambas de inconcebível gravidade! Por um lado, podem começar a entender que, afinal, até gostam de mandar, e depois não querem outra coisa. E, então, seus pirilaus submissos, o que será feito da bela da palmada? Hã? Hã? Vão agora pôr-se de gatas, deixar que os papéis se invertam, e que as palmadas mudem de nádegas? E depois de o homem estar de quatro, com o campo de visão apontado no sentido oposto às mãos da mulher, o que é que a impede de cometer outros ataques traiçoeiros com o auxílio dos mais variados apetrechos? A coisa pode ter consequências seriamente dolorosas! E os apetrechos que existem, bem… seriamente dolorosas! Não é que as minhas nádegas desdenhem uma ou duas palmaditas de mãos femininas (sim, é preciso especificar), mas o que é de mais é erro. Já o dizia a avó caduca de alguém (e que, se calhar, nunca chegou sequer a dar uma palmadita no rabiosque do seu respectivo cônjuge). E, como se não bastasse esta aterradora perspectiva, resta outra ainda mais apocalíptica. Há que fazer a horrível pergunta: “E se, em vez de tomarem o gosto ao domínio que exercem, as mulheres acabarem por perder o tesão face à passiva submissão dos homens?” É que não estão mesmo a ver! Depois é que estaria mesmo o caldo entornado! Onde é que este muito justo Cão Sarnento encontraria uma fêmea que, em vez de aceitar uma saudável parceria, quisesse armar-se em dominatrix com apetrechos potencialmente dolorosos? E isto, no caso de encontrar uma das que tomasse o gosto ao papel de sexo dominante. Então e se eu desse de cara (entenda-se, de anca) com uma das outras? E se me saísse na rifa uma das que perdeu o interesse pelo vaivém da pélvis por causa das suas anteriores e medíocres escolhas, que a levaram a trocar fluidos orgânicos com espécimes frouxos? Santíssima Trindade e mais o Divino Amante! Não quero nem pensar! Qual holocausto nuclear, qual quê! Essa desgraça seria o proverbial embate do meteorito apocalíptico que levaria à extinção da espécie! (pelo menos, a espécie do Cão Sarnento). E toda essa hecatombe adviria apenas da passividade inerente ao facto de o macho se deixar comer pela fêmea durante a cópula. As vértebras da minha resoluta coluna até tremem ao ponto de se deslocarem em dolorosas hérnias discais, por saber que também há cada vez mais homens que se deixam “comer” pelas mulheres depois da cópula! Mas isso já é uma questão da mente e não do corpo. E deixem-me que vos diga (que remédio têm senão deixarem… that’s right, my blog!)… há um velho ditado hebreu que diz: “Sempre que um homem é comido pela mulher depois da cópula, há um rapaz que nasce para se tornar padre católico.” Toda a gente sabe que os padres católicos são homens que aparentemente negam “o que Deus lhes deu” (rio-me, pois claro!). Apenas por este indício, podem calcular a gravidade da conjuntura cósmica! OK, pronto… pode ser que não exista esse tal ditado… mas existem, de certeza, muitos homens a serem comidos pelas mulheres durante e depois da cópula. E se essa perspectiva não faz nascer mais futuros padres católicos, pelo menos, faz-me encolher os testículos no escroto! (não, também não é lá muito agradável).

Cão Sarnento.

11 comentários:

carpe vitam! disse...

Lindo! Eu defendo o princípio do equilíbrio: se o homem gosta de dominar durante o tempo todo, tem de aceitar que a mulher queira fazê-lo também, pelo mesmo período de tempo em igualdade de circunstâncias.
Agora essa de não querer que a mulher seja activa durante muito tempo com medo de que a passividade deixe de a excitar, parece-me completamente descabido. Não querer que a mulher use a sua fértil imaginação para penetrar com medo de doer? Ela não gosta de ser penetrada? Serás menos homem se gostares de ser também?
E depois, com jeitinho e lubrificante, tudo entra. Vá lá, deixa-te de mariquices, faz-lhe esse gostinho: deixa a mulher dominar de vez em quando!

http://provocame.blogspot.com/2008/04/provocao-gratuita-13.html

Cão Sarnento disse...

Hum... estou a ver... "com jeitinho e lubrificante, tudo entra." Certo! Se o agente penetrador se limitar à natureza gentil de um dedinho feminino (com diâmetro abaixo de medidas que possam provocar um cerrar de dentes, mesmo com lub), então, a coisa não é grande drama e produz certos efeitos que não são de menosprezar. Mas se qualquer outro objecto de forma fálica (ou whatever) com dimensões de bacamarte decidir entrar em acção... bem, tenho três palavras a dizer: tabu, tabu, tabu! Relativamente a um pénis, no que me diz respeito, a mera sugestão do contacto com intenções de penetração nas minhas nalgas gera em mim convulsões estomacais susceptíveis de vómito (e eu sou gajo de estômago forte). Não estão em causa imbecilidades tais como homofobia nem tacanhez de mentalidade. A justificação é mais química do que cultural. Acontece que eu tenho aversão física aos homens, no que diz respeito a sexo. Na verdade, acho extraordinário que as mulheres se sintam fisicamente atraídas pelos homens (apesar de agradecer esse facto). Estou bem com a minha sexualidade, e não tenho qualquer problema com a proximidade e contacto físico com outro homem, desde que não haja qualquer intenção sexual subjacente em relação a mim. No que respeita a mulheres... bem, no final de contas, depende sempre da capacidade de cada uma "usar todos os meios necessários" para me convencer a alinhar no que quer que seja. O que farias tu para me convencer?

carpe vitam! disse...

Eu não estou aqui para te convencer de nada. O meu objectivo é a aprendizagem, o prazer do saber. A estratégia é simples: vou provocando, vou mandando o barro à parede a ver se pega, com a maior sinceridade possível. Gosto de perguntar para melhor poder provocar, sempre na expectativa de aprender mais com isso. Não tenho dado o meu tempo por mal empregue, pois a avaliação de desempenho diz que tenho vindo a cumprir o objectivo. Mas o saber não se esgota e é preciso pôr a teoria em prática e praticar para formular novas teorias. Há que saber o que se pode e o que vale a pena experimentar. E basicamente, é para isso que estou aqui.

Cão Sarnento disse...

Oh! És uma interesseira! Mas pronto, não posso ceder à hipocrisia de te criticar... tenho interesses que coincidem com os teus. hehehe!

Pekenina disse...

Foi precosamente através do "Provoca-me!!!" que vim aqui parar. Li da primeira à última linha. Simplesmente fenomenal. Concordo com a carpe: igualdade acima de tudo. Suponhamos que o homem até gosta de ser dominado o tempo todo e que a mulher até nem desgosta de ter o controlo. Será o homem um coninhas? (ou menos homem, se preferires). Quanto ao diâmetro máximo de objectos que possam penetrar orifícios nobres do corpo humano (há uns mais nobres que outros, mas todos com funções relevantes) isso cabe a cada um decidir, sendo eu da opinião que nunca se sabe até se experimentar. =)Não me tomes, no entanto, por um aracnídeo fêmea com marido enterrado (porque o comi!) e vestida de negro hehe ;-)

Vou voltar, de certeza!

Beijinho
Pekenina*

Pekenina disse...

E já comecei mal...
É "precisamente"* e não "precosamente" :-P

Cão Sarnento disse...

Com todas as alarvidades que já li nestes meus sete anitos de vida(idade psicológica), "precosamente" não é o mais estranho neologismo criado pela dislexia do teclado. E eu dificilmente reclamarei a sério por causa de tais detalhes (excepto nos casos de flagrante imbecilidade verdadeira), pois, afinal de contas, essas miudezas contribuem para os meus comentários maliciosos. E volta sempre. Estou cá a semana toda (ou quase), e tenho sempre todo o gosto em debater teorias absurdas acerca do comportamento humano em geral.

Pekenina disse...

Recolher todas as trocas e baldrocas de letras que se escrevem em comentários (e não só)e registá-las numa pequena (?!) lista devia ser bastante interessante. Enriquecedor, no mínimo. Se quiseres "precosamente" está no nº1. Hehe

Cão Sarnento disse...

Seria verdadeiramene difícil chegar a um justo top 10. As pessoas não se cansam de dizer alarvidades (incluindo eu... mas com estilo, obviamente!).

Pearl disse...

Sabes aprecio um homem que aceita que uma mulher o domine mas que goste de a dominar tabem, como sempre defendo o equilibrio e neste caso mais ainda!!

beijinhos!!

Cão Sarnento disse...

Ora, sem quaisquer floreados linguísticos, nem coisinhas pretensamente poéticas... foder é bom. Umas vezes ficamos por cima e outras não! (raios! e lá fiz rima outra vez!)